A violência é um problema que diz respeito a todos(as) nós!


Recentemente tivemos conhecimento pela mídia de diversas situações de violência que nos impactaram muito.

Muito comentado pelos veículos de comunicação, o episódio do Oscar e a agressão sofrida pelo homem em situação de rua, que têm em comum a explosão da ira e a exposição feminina e sua ridicularização.


São situações tristes, mas que apresentam a violência como se fossem acontecimentos banais, e onde até percebemos uma certa naturalização dessas ações.



Segundo a psicóloga Gisele Borsotte, coordenadora do Núcleo de Enfrentamento à Violência da Mental Clean, o que se vê hoje é um problema histórico e estrutural, composto por uma série de fatores que se somam ao longo da vida, mas que atualmente ganharam mais evidência por conta da rapidez com que são divulgados na internet.


É percebido também uma naturalização estrutural e cultural nos casos que envolvem a violência contra a mulher, ao ponto de ser passada de geração para geração; de pai para filho, na educação, quando usamos métodos punitivos como gritos, chantagens, ameaças, ou até mesmo por parte das vítimas, que muitas vezes reproduzem suas vivências.


“Por isso é necessário ter e repassar uma conscientização diária para não reproduzi-la”, destaca Gisele Borsotte.

Estudos comprovam que as diversas formas de violência repercutem na Saúde Mental da vítima como um todo, levando à autoestima rebaixada, crises de ansiedade, dificuldade em estabelecer vínculos sociais e afetivos ou até ao suicídio.


“Dessa forma é imprescindível somarmos forças para enfrentar esse modo de dominação, com o objetivo de resgatar o poder de argumentação e diálogo”, propõe a psicóloga.


De acordo com a equipe do Núcleo de Enfrentamento à Violência da Mental Clean, que oferece o serviço de suporte emocional às empresas e suas profissionais em situação de violência, a pandemia e a necessidade de convivência das pessoas dentro de uma mesma casa contribuíram para o aumento das agressões.


Ao longo de 2020, o Núcleo atendeu mais que o dobro de mulheres em situação de violência do que em 2019, ao passo que em 2021 houve um aumento de mais de 200% na entrada de novos casos para atendimento.


Diante desse cenário, toda a equipe responsável por esses acompanhamentos destaca a importância de se compreender a questão da violência, do ponto de vista patriarcal, para que a sociedade seja capaz de se organizar, como agente corresponsável por esses atos, e possa criar formas de diálogo e acolhimento a todas as vítimas.


Essas ações incluem também a participação das empresas como corresponsáveis nesse processo de mudança.

“É preciso que elas comecem a discutir a temática da violência que pode ocorrer dentro das instituições, como os ambientes tóxicos e as relações abusivas, ou fora delas, na vida privada. Além disso, faz-se necessário considerar as diversidades e tirar o melhor de cada um, respeitar suas particularidades e possibilitar um lugar de diálogo, pois é aí que se tem o poder para mudar e crescer”, afirma Gisele Borsotte.


Inclusive, foram realizadas várias rodas de conversa com as colaboradoras atendidas pelo Núcleo, a fim de promover o autoconhecimento e o empoderamento e estimular a saída do ciclo da violência.


Portanto, é necessário que cada vez mais as empresas favoreçam esses espaços de fala e escuta, para enfrentarmos a violência de uma forma mais abrangente e coletiva e assim, transformarmos nossa realidade.


Saiba mais:


Pioneira na criação do Programa de Enfrentamento à Violência, há quatro anos a Mental Clean realiza junto às empresas o trabalho especializado de prevenção, suporte e identificação de possíveis sinais de violência que muitos profissionais podem estar passando. Além disso, a consultoria auxilia as lideranças a identificar e lidar com cada caso.


Portanto, além de orientar a empresa para uma mudança de cultura em relação à temática da violência, o Programa também acolhe e trata as situações que podem estar acontecendo naquele momento.


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