Cuidando da Saúde Mental dos idosos em tempos de distanciamento social


A quarentena chegou de repente para combater a propagação do Coronavírus, nos privando de lazer e do convívio social, e, o que era para durar algumas semanas ou meses, já está completando um ano.


Com a chegada das vacinas, estamos assistindo emocionados e esperançosos às imagens de idosos por todo o país sendo vacinados contra a Covid-19.


Até que o processo de vacinação seja concluído, todas as medidas sanitárias de prevenção ao Coronavírus devem ser mantidas, como o uso de máscaras, a higienização das mãos, o uso de álcool em gel, assim como o distanciamento social.


De acordo com uma recente pesquisa global da Universidade Estadual de Ohio (EUA), em parceria com a USP e Unifesp, o Brasil é líder em índices de ansiedade e depressão na pandemia. O estudo apontou que 63% dos respondentes brasileiros apresentaram relatos de ansiedade e 59% sintomas de depressão.


“Uma das principais causas que levaram a esses quadros foi a privação das atividades de lazer fora do ambiente doméstico, como exercício físico ou encontros com amigos e familiares”, declarou o professor Ricardo Uvinha, da USP, em reportagem ao jornal Folha de S. Paulo. ​


Frente a esse cenário, é preciso lançar um olhar ainda mais atento à Saúde Mental dos idosos para minimizar os impactos desse distanciamento social.


“As pessoas dessa faixa etária, normalmente, já lidam com sentimentos como insegurança, solidão, rejeição ou perda de autonomia. E a falta do convívio social adicionou uma sobrecarga emocional decorrente da incerteza quanto ao futuro e do medo de se contrair a Covid”, explica Patrícia França Proença, Psicóloga e especialista da Mental Clean.


Esses fatores são gatilhos que podem desencadear transtornos mentais como depressão e ansiedade. Muitas pessoas, e não apenas idosos, que já não estavam bem antes da pandemia tiveram seus quadros agravados.


Todos nós convivemos com idosos em nossos ambientes familiares. Por isso, é importante ficarmos atentos a alguns sinais que são alertas de um possível sofrimento emocional.


Elencamos alguns sintomas que podem ajudar a identificar quando a Saúde Mental de um idoso requer cuidados:


  • Distúrbios do sono como insônia ou hipersonia;

  • Alterações de humor, irritabilidade e agressividade

  • Distúrbios alimentares, como ganho ou perda de peso

  • Falta de motivação, sem vontade de levantar-se pela manhã

  • Fadiga em excesso, falta de energia

  • Baixa autoestima acentuada

  • Pensamentos suicidas

  • Tristeza e choros constantes

  • Negligenciar o autocuidado e a higiene pessoal


Ao perceber algum desses sintomas, é hora de procurar ajuda por meio de profissionais especialistas em Saúde Mental (Psicólogo e/ou Psiquiatra), além do apoio fundamental dos familiares.


Mas, independentemente de todas as carências e implicações decorrentes do distanciamento social, é possível minimizar esses impactos quando a família se propõe a acolher o idoso, abrindo inclusive uma oportunidade de escuta de suas emoções.


Essas dicas podem ajudar o idoso a enfrentar a quarentena de forma mais saudável e com mais qualidade de vida:


  1. Inclusão digital: atualmente, os diversos recursos tecnológicos propiciam conexões instantâneas, seja por dispositivos como aparelhos celulares, tablets ou notebooks. O importante é garantir que o idoso aprenda a usar as ferramentas e esteja conectado!

  2. Chamadas de vídeo: faça vídeochamadas para familiares e amigos! Esse recurso tem sido muito utilizado, ajuda a encurtar as distâncias e a matar a saudade. Muitos aniversários são comemorados desta forma.

  3. Almoço em família: convide o idoso a dar as dicas de receitas para os almoços de finais de semana. Cada um pode preparar o mesmo prato em sua própria casa e compartilhar o momento da refeição juntos, com o vídeo ligado.

  4. Sessão pipoca: combine com a família de assistirem todos o mesmo filme. Depois, façam um descontraído encontro virtual para comentar sobre a produção. Temas leves como comédias e romances são os mais indicadas.

  5. Mais do que falar, escute sempre: uma das maiores demonstrações de afeto é saber ouvir. Escute com interesse e atenção.

  6. Estimule o idoso a ouvir música: surpreenda-o enviando pelo celular suas seleções favoritas, para que ele possa ouvir pelo YouTube ou por aplicativos como Spotify ou Deezer.


Temos que nos lembrar que envelhecer é o curso natural da vida, um processo pelo qual todos iremos passar e que, inclusive, se inicia a partir do momento em que nascemos.


Em muitos países do continente asiático o envelhecimento é significado de respeito, orgulho e sabedoria pela jornada de uma vida dedicada ao trabalho e à família.


Em países como Japão e China os anciãos são reverenciados por seus familiares e sempre consultados para decisões importantes, além de constituírem um importante núcleo de afeto e apoio emocional.


Portanto, que possamos fazer a nossa parte para viabilizar aos nossos queridos a plenitude de uma vida com mais Saúde Mental, equilíbrio emocional e bem-estar.



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