Dia Internacional da Mulher – Um diálogo sobre igualdade, valorização e transformação


O Dia Internacional da Mulher é um momento de reflexão ao redor do mundo em que se celebra importantes conquistas femininas, resultantes de inúmeras mobilizações ao longo da história, como o acesso à educação formal, o direito ao voto, à participação na política e o ingresso no mercado de trabalho.


É também uma ocasião para se propor diálogos e alternativas sobre as dificuldades que as mulheres ainda enfrentam em temáticas como violência doméstica e equidade de gênero.


As mulheres são maioria no Brasil! Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), elas representam 51,8% da população brasileira. Para se ter uma ideia dessa força feminina, basta lembrarmos que elas são mães dos demais 48,2% de homens que completam esse quadro.


Mesmo com essa representatividade, os dados estatísticos apontam que elas ainda encontram muitos obstáculos a serem superados para atingirem a igualdade de gênero, principalmente no mundo corporativo.


Segundo levantamento divulgado no início deste mês, pelo IBGE, apenas 54,5% das mulheres com 15 anos ou mais integravam a força de trabalho no país em 2019, ao passo que entre os homens, esse percentual foi de 73,7% (fonte Agência Brasil).

Ainda de acordo com o órgão, elas estudam mais que os homens, trabalham em média três horas por semana a mais, e ganham 23,5% a menos.


Para Fátima Macedo, CEO da Mental Clean, o Brasil obteve avanços significativos nesse setor, quando muitas empresas passaram a se comprometer com a igualdade de gênero dentro do ambiente de trabalho.


“Diversas empresas, nos últimos dois anos, lançaram projetos e programas estruturados para trazer mais mulheres para sua força de trabalho. Hoje é possível observar pessoas do sexo feminino em profissões antes destinadas apenas ao universo masculino. Elas estão operando máquinas dentro de indústrias e de grandes fábricas. Cada vez mais as mulheres estão nesses espaços e também na alta e na média gestão”, afirma Fátima Macedo.


Porém, a CEO da Mental Clean pontua que manter-se empregada em situações de crise, conseguir ascender na carreira, ter o mesmo salário que o homem e competir de igual para igual são alguns dos principais desafios da mulher contemporânea.


De acordo com a executiva, esse quadro ficou ainda mais evidente com a crise sanitária que o país está vivenciando. “As mulheres ainda continuam relatando dificuldades e a pandemia escancarou essa realidade. Elas foram alvo de demissões mais do que os homens e, por isso, houve um acirramento histórico da desigualdade no mercado de trabalho. Enquanto o desemprego entre as mulheres ficou em torno de 18%, entre os homens o índice foi de 11,8%”, (dados PNAD, julho 2020), explica Fátima.


Isso ocorre porque o homem, por ter menos obrigações familiares, consegue investir mais nos seus estudos, encontrando mais chances de ascensão no mercado. “Enquanto a mulher abre mão desse investimento, por questões familiares, como filhos, dificuldades financeiras e excesso de responsabilidades. Então, isso torna o mercado de trabalho mais oneroso para ela”, diz Fátima.


“Lidar com as barreiras que ainda dificultam a ascensão das mulheres a cargos de liderança e que as sobrecarregam ao extremo” é um dos principais desafios da mulher contemporânea, para Karinna Forlenza, Executive Coach e mentora especializada em Visibilidade.


A partir de uma entrevista com 200 mulheres executivas, a especialista identificou três mecanismos inconscientes unânimes entre elas: a dificuldade de aumentar a sua visibilidade na empresa, focar na sua presença executiva e a falta de habilidade política.


“Elas afirmaram que, mesmo trabalhando muito e fazendo seus projetos com perfeição, muitas vezes não são notadas. Esta é uma questão coletiva consequente da nossa formação cultural e da falta de capacitação nas empresas para prepararem as mulheres para liderarem de forma integral”, explica Karinna Forlenza.


Segundo a Executive Coach, há ainda uma grande lacuna entre os programas de diversidade implementados nas empresas e ações efetivas que incentivem o crescimento das mulheres no ambiente corporativo.


“Fazemos parte de uma sociedade que sempre acreditou que, para ser vista, a mulher tem que trabalhar mais, enquanto o foco deveria ser repensar as formas de trabalho. Precisamos que as empresas sejam mais efetivas ao usarem o potencial feminino de liderança e que as reconheçam adequadamente por isso”, diz Karinna.


Um outro aspecto identificado na pesquisa que a especialista realizou com as executivas, foram as questões pessoais. “A maternidade, assim como outras responsabilidades que dividem a rotina da mulher com o trabalho, infelizmente, ainda são vistas de forma não amigável por muitas empresas. Desta forma, a concorrência com os homens se torna desleal e muitas mulheres acabam abandonando as empresas por falta de coerência e prática”, pontua a mentora.


A Psicóloga e especialista da Mental Clean, Luanna Xavier, alerta para a importância de um olhar atento também a questões como o aumento significativo dos casos de violência contra a mulher durante a pandemia e a divisão desigual das tarefas de casa e dos cuidados com filhos, que faz com que a mulher fique sobrecarregada.


“Em decorrência desses fatos, a saúde mental das mulheres tem sido mais afetada na pandemia, o que, consequentemente, dificulta o seu crescimento profissional. Assim, podemos dizer que existe o desafio de continuar promovendo a manutenção dos direitos femininos e ainda uma necessidade de cuidar das mulheres para que elas continuem galgando mais espaços”, ressalta Luanna.


Por que as mulheres estão se sentindo tão exaustas?


Por questões culturais, são atribuídos à mulher os assuntos relacionados aos cuidados com os filhos e com a casa. Na pandemia essa situação se agravou com o fechamento de creches e escolas. As mulheres passaram a trabalhar de casa, sem poder contar com suas redes de apoios – uma pessoa de confiança que a ajudava, uma funcionária, mãe ou avó. E assim, elas assumiram muito mais responsabilidades, desempenhando todos os papéis, 24 horas por dia.


“Muitas questões impactam essa mulher que precisa trabalhar e cuidar dos filhos ao mesmo tempo, e a primeira consequência é o cansaço excessivo. Enquanto muitos homens estão descansando a mulher está realizando tarefas domésticas. Nesse sentido, as mulheres se sentem mais estressadas e quando esse estado não é visto e cuidado pode levar a quadros de depressão e ansiedade bem complexos”, pontua a Psicóloga Luanna.


Karinna Forlenza ressalta que, de acordo com a pesquisa desenvolvida pela Lean In, 54% das mulheres se sentem exaustas e 76% dividem a sua rotina de trabalho com o cuidado com os filhos pequenos.

“Com o acúmulo de funções, elas passaram a conviver com o medo de terem o seu desempenho julgado e com o sentimento de que precisam estar disponíveis o tempo todo. Mas, mesmo assim, elas evitam compartilhar as dificuldades com gerentes e colegas porque sentem que não têm o apoio necessário. Desta forma, não somente a saúde mental da mulher fica abalada, como a própria saúde física”, explica Karinna.


Para Fátima Macedo, diante desse cenário, é necessário que haja uma modificação de padrão para as mulheres, que, por questões culturais, se sentem sobrecarregadas ao assumir responsabilidades em excesso.


“Essa cobrança está no seu núcleo familiar, na forma como elas foram criadas. Assim, elas têm dificuldades em dividir tarefas e acabam ficando mais cansadas e esgotadas. Neste caso, é preciso haver uma revisão desse comportamento para que elas consigam mudar esse ‘mindset’, e se sintam menos culpadas ao delegar e dividir responsabilidades de uma forma justa”, diz Fátima.


Uma mudança de lugares pode colaborar para equilibrar essa situação, propõe Luanna Xavier: “Muitas famílias colocam a mulher como ponto principal de cuidados e responsabilidades e o homem como ajudante. Isso precisa ser revisto, os homens (maridos e filhos) podem e devem participar ativamente das questões familiares e dos cuidados com a casa”.


O mês da Mulher nas empresas


Muitos movimentos da sociedade sugerem que essa celebração ocorra por meio da realização de rodas de conversa e reflexões sobre empoderamento, alternativas para a busca de equidade do papel da mulher e percebe-se o quanto é emergente fazer uma verdadeira transformação social.


Para contribuir com essas reflexões, preparamos algumas sugestões para que as empresas possam implementar ações contínuas de valorização das mulheres e de conscientização sobre as questões femininas:


  • Desenvolver a cultura da empresa, não aceitando posturas machistas e assédios.

  • Criar políticas de inclusão de mulheres em cargos de liderança.

  • Ter um olhar diferenciado para a profissional que tem filhos, permitindo que ela tenha horários mais flexíveis, por exemplo.

  • Promover ações específicas de enfrentamento à violência contra a mulher, como rodas de conversa sobre o tema e oferecer canais especializados para o apoio, acolhimento e orientação para essa situação tão delicada.


É importante buscar a equidade de gênero e promover oportunidades iguais na vida e na carreira para todas as pessoas, independentemente se são homens ou mulheres. Porém, ainda temos intervenções tímidas diante de um mundo tão diverso e plural.


É fundamental, portanto, que as empresas, como importantes agentes de transformação social, entendam a relevância dessas questões e ofereçam ações cada vez mais efetivas para promover a equidade de gênero em sua cultura e realidade.


Fátima Macedo ressalta que quanto mais o papel da mulher é reconhecido e valorizado, com espaços de fala, mais ela se torna uma grande parceira do homem, seja ele um colega de trabalho, um companheiro, um irmão ou pai. “E então, tudo se torna mais colaborativo”.


“A igualdade tem a ver com esses espaços que são ocupados por todos. Não existe um lugar no qual o homem ou a mulher sejam melhores, e sim que podem ser ocupados por todos e que transformam a vida das pessoas de uma maneira muito melhor”, conclui a CEO da Mental Clean.






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