Diversidade e inclusão racial nas empresas


O mundo celebra nesta semana o Dia Internacional da Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, instituído pela ONU, em memória ao “Massacre de Sharpeville”, ocorrido em 21 de março de 1960, em Joanesburgo, África do Sul.


Na ocasião, durante o regime do apartheid, 20 mil pessoas negras protestavam pacificamente contra a ‘Lei do Passe’ – decreto que restringia os locais de circulação dos negros no país – quando foram abordadas violentamente por tropas do exército, que atiraram contra os manifestantes.


Mais do que um marco em reverência às 69 vítimas fatais, a data nos lembra que é preciso ampliar o debate sobre o racismo e criar estratégias de enfrentamento e eliminação da desigualdade racial em todas as esferas da sociedade.


Os negros representam 56% da população brasileira, segundo dados do IBGE, composta por pretos e pardos. Porém, ainda enfrentam muitos obstáculos quando o assunto é representatividade e oportunidades iguais, principalmente em relação ao mercado de trabalho.


Dados da pesquisa ‘Síntese de Indicadores Sociais’, do IBGE, de 2019, indicam que os profissionais negros ganham em média 73,9% a menos que os brancos. O estudo aponta ainda que o a presença de profissionais pretos e pardos no mercado é de 53,7%, contra 45,2, de brancos. É importante atentar para a realidade de que, embora a presença da população negra no mercado seja maior, ela se concentra na base da pirâmide.


A pesquisa da Faculdade Zumbi dos Palmares em parceria com a ONG Afrobras, feita em 2020, com 76 empresas, confirma esse quadro. De acordo com o estudo, pretos e pardos ocupam entre 57% e 58% dos seus quadros de funcionários, nas funções de aprendizes e trainees.


Na alta gestão, os índices apontados refletem a realidade de um mercado com baixa representatividade: em conselhos de administração, os negros representam apenas 4,9%, em quadros executivos, 4,7%, e em cargos de gerência, 6,3%.


A diversidade hoje está na pauta do ambiente corporativo! Várias pesquisas comprovam que empresas diversas são mais criativas, rentáveis e proporcionam espaços mais acolhedores aos seus colaboradores.


Além de vantagem competitiva e lucratividade, as organizações que se alinham a esse propósito estão em consonância com os anseios de inclusão da sociedade contemporânea.


Um estudo da McKinsey & Company, realizado com 366 empresas nos EUA, Canadá, América Latina e Reino Unido, revelou que negócios que incentivam a diversidade racial têm cerca de 35% de retorno financeiro maior que a média nacional de sua área de atuação.


“As empresas vêm percebendo que programas de diversidade precisam ir além da contratação de aprendizes e estagiários. Para que haja uma mudança é necessário um processo de contratação de negros em cargos de liderança”, diz Elizabete Scheibmayr, CEO da Uzoma Diversidade Étnico-Racial.


Ao lançar o primeiro programa de trainee exclusivo para pessoas negras, em setembro de 2020, o Magazine Luiza rompeu paradigmas e mostrou na prática que é possível trazer mais diversidade racial para os cargos de alta gestão no ambiente corporativo.


A empresa conta em seu quadro de funcionários com 53% de profissionais pretos e pardos, sendo que apenas 16% deles ocupam cargos de liderança.


“A iniciativa do Magazine Luiza transpôs a temática da diversidade a outro patamar dentro do mercado, deixando claro que esse propósito é levado a sério dentro da organização. Os resultados foram impressionantes e amplamente divulgados, muitas empresas passaram a seguir o exemplo e começaram a se preparar nesse sentido”, explica Elizabete Scheibmayr.


Como desenvolver ações concretas de inclusão racial nas empresas?


Como já discorremos neste texto, em um mundo em constante evolução e transformação, é primordial que as empresas assumam perante a sociedade o compromisso em promover ações inclusivas em seus ambientes.


Selecionamos algumas práticas que devem ser exercidas de forma contínua para a promoção da diversidade nas organizações (fonte Tree – impacto social):


  • Liderança engajada – é primordial, primeiramente, que os gestores se conscientizem e reconheçam a necessidade das práticas de inclusão racial e se engajem de fato.

  • Estímulo à reflexão sobre o tema – por meio de rodas de conversas ou palestras, é necessário envolver todo o time em programas de sensibilização e informação sobre a temática do racismo.

  • Alinhamento da comunicação e cultura da empresa – é preciso deixar claro quais são suas políticas de inclusão. Essa comunicação pode ser feita por meio de cartilhas e treinamentos.

  • Importância do RH na seleção de talentos – é importante que o RH esteja empenhado em criar oportunidades de contratação e ampliar a participação de candidatos negros nos processos seletivos.


Em um de seus discursos, em 1994, na África do Sul, Nelson Mandela afirmou: "Eu viajei este país de ponta a ponta, conheci pessoas, falei com crianças, com idosos e com todos que eu poderia tocar ou ver. Todos buscam paz. Todos buscam uma vida melhor. Todos desejam trabalhar juntos”.


Um mundo melhor para todos certamente será aquele em que não haverá diferenças estabelecidas em função da cor da pele, origem ou gênero.


E esse mundo é possível. Depende de todos nós!

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