Equilibrando Produtividade e Saúde Mental em tempos de Covid-19

August 17, 2020

 

O novo ‘normal’ tem lançado inúmeros desafios a profissionais e empresas. Talvez o principal deles seja a manutenção da produtividade em tempos de Covid-19, sem descuidar da Saúde Emocional.

 

É certo que estamos todos passando pela mesma situação de crise que faz aflorar sentimentos nunca tão expostos como agora e para os quais as reações podem ser diferentes. E lidar com todas essas questões de uma forma saudável e equilibrada é um grande dilema.

 

Para dialogar sobre o assunto e apontar caminhos e soluções para esse período tão complexo, a empresa Solinftec realizou um bate-papo, por meio de uma Live mediada por Graziella Santos, coordenadora de RH Solinftec, com os profissionais Andréa B. Cruz, fundadora e CEO da Serh1 Consultoria, Fátima Macedo, fundadora e CEO da Mental Clean, e Rodrigo Iafelice dos Santos, CEO da Solinftec, no dia 4 de junho, transmitida pelo YouTube.

 

Segundo os especialistas é preciso desenvolver novos hábitos, olhar e escutar o outro, estabelecer limites, olhar para seus sentimentos, reconhecer que nada será como antes.

 

Neste bate-papo assertivo, no qual todos concordam que sairemos dessa crise mais fortalecidos, os profissionais gestores nos falam sobre confiança para este momento e esperança para as incertezas.

 

Confira os pontos principais da conversa:

 

Como manter a produtividade nesses tempos?

 

Andrea Cruz – É importante reconhecer que, além de todos os papeis e profissões, somos seres humanos, e, como iguais, sentimos as mesmas coisas. Temos que perceber o que estamos sentindo nesse instante. Em momentos de crise, aparece o nosso estado natural, que são os nossos dons, e, consequentemente, quanto mais nos ´ouvirmos´, mais produtivos seremos.

 

Quais os impactos dessa crise e como minimizá-los?

 

Fátima Macedo – O que está acontecendo impacta qualquer pessoa, nunca vivemos uma crise dessa magnitude e por isso não há manual, cada um vem descobrindo o que está sentindo e como lidar. Como indivíduos, devemos resgatar nossas necessidades, e precisamos de coisas básicas, cuidados com a alimentação, com o sono, com as pausas, o cérebro também precisa de descanso. Movimentar o corpo também é importante – quem trabalha com computador fica muito tempo sentado – não podemos nos esquecer de todas essas coisas básicas do dia a dia. A ansiedade nos desorganiza e o gasto de energia para voltar à organização é grande. O estresse é ladrão de bons hábitos e não nos damos conta disso, e se não respeitarmos os nossos limites e não dermos atenção ao nível de estresse, uma hora ‘a conta chega’. “Preciso cuidar de mim para produzir melhor e não o contrário”.

 

Como podemos aproveitar o momento para criar novos hábitos de forma construtiva?

 

Andrea Cruz – Estamos em casa há quase 90 dias e esse é o tempo necessário para desenvolvermos novos hábitos. Portanto, é provável que quando voltarmos às nossas atividades alguns hábitos terão sido adquiridos, saudáveis ou nocivos.

 

Fátima Macedo – Devemos usar mais do ‘não convencional’, aquilo que não foi pensado antes como possibilidade. Nos dispormos a ler, a escolher filmes e músicas diferentes dos quais estamos habituados. O hábito e a rotina têm uma função importante na produtividade, mas agora é bacana quebrar e construir novos costumes. Isso é possível para quem se permite fazer coisas diferentes, ouvir quem está ao redor. Use e abuse de coisas saudáveis não convencionais, como conectar-se com a família on-line ou um jantar descontraído.

 

Por que as pessoas reagem diferentemente umas das outras?

 

Andrea Cruz – Em um processo de mudança há uma curva de sentimentos, que podem ser traduzidos como choque, medo, raiva, aceitação ou até entusiasmo – e no fundo dessa curva estão a confusão e a dúvida. Por isso, quanto mais as empresas trouxeram informação e transparência, menos as pessoas vão ficar nesse momento caótico. A pessoa mais distante da informação ou que tenha dificuldade para processar pode demorar mais.

 

A forma como as pessoas sentem-se depende dos seus valores, tais como segurança e necessidade de certezas, e, no entanto, as que precisam de certezas, neste momento podem se sentir piores. Por isso, é importante começar a ter confiança nas coisas que estão ao seu controle, por exemplo, crie um planejamento diário ao invés de anual.

 

Como gestor é necessário reconhecer os estímulos, entender o que é importante para você e como como a organização pode atender às necessidades mínimas da equipe para não travar a produtividade.

 

Qual o papel da liderança? Como ajudar os funcionários a entender a proximidade e comunicação?

 

Andrea Cruz – Liderança facilitadora – esta é a nova função do líder. Comando e controle não levarão mais a lugar algum. É importante ter a consciência disso para continuar o processo. Mudar o mindset para: como eu líder posso facilitar o dia a dia do meu funcionário e não “como fiscalizar”.

 

O ‘falar’ para o ser humano é a primeira linha de terapia, o líder não precisa dar respostas, só precisa escutar, isso é uma das melhores formas de acolhimento. Deve-se entender que somos seres humanos integrais, perceber, por exemplo, qual momento do dia o colaborador é mais produtivo, colocar as reuniões com a equipe no horário contrário a isso, tentar encontrar um ponto comum. O líder com o papel de facilitar e não só cobrar.

 

Rodrigo Iafelice – As pessoas confundem essa posição de ser gestor com nunca ter problemas, dúvidas e incertezas. Se você olhar para o próximo como gostaria de ser tratado, isso abre um diálogo e tudo fica mais leve e simples de ser tratado.  

 

Fátima Macedo – O exercício de ouvir o trabalhador é imprescindível, independentemente do nível em que ele estiver. Nem sempre as pessoas estão preparadas para falar diretamente, por isso instrumentos e mapeamentos podem ser ótimos facilitadores.

 

Em um dos questionários que a Mental Clean forneceu para uma empresa parceira obteve-se como resposta que 60% dos colaboradores acreditavam que os gestores tinham uma comunicação clara, ao mesmo tempo em que 97% dos gestores colocaram essa resposta como positiva, enxergou-se aí algo a ser trabalhado. Comunicação é aquilo que o outro entende e não o que eu falo.  Perguntas que não são para investigar, mas para analisar necessidades.

 

É importante ter a compreensão da realidade que os funcionários estão vivenciando. Por exemplo uma mãe com um bebê de 2 anos em casa que não vai entender que ela está presente, mas sim trabalhando. Em momentos de crise as pessoas esperam receber orientação, por isso é significativo atentar ao que os funcionários estão pensando.

 

Alguma dica para trabalhar autoconhecimento e autoconfiança?

 

Fátima Macedo – Eu indico os “Primeiros Socorros para a Mente”, que consiste em uma caixinha pessoal e única que contém tudo aquilo que nos faz bem. Muitas vezes precisamos resgatar o que nos proporciona bem-estar, necessitamos ter uma conversa interna para perceber o que estamos sentindo. Olhar para si mesmo está relacionado ao autoconhecimento, reconhecer o que me faz bem, os meus gostos, o que se passa dentro de mim. Escute um pouco quem está ao seu lado, preste atenção ao que ela lhe conta sobre você, saia da reatividade ao ouvir e entre no acolhimento. É importante olhar para a sua vulnerabilidade.

 

Como conseguir equilíbrio entre produtividade, saúde mental, qualidade de vida e continuar evoluindo na carreira?

 

Fátima Macedo – Respeitando seus limites! Esteja atento aos sinais, não deixe que eles se transformem em sintomas. Saiba a hora de parar, mesmo que sejam pequenas pausas, você já volta recuperado, fortalecido e ainda evita um problema maior depois. Sairemos melhores e com a saúde mental preservada se cuidarmos dela. Primando por coisas básicas fará toda diferença em relação à produtividade e a tudo que está acontecendo. Busque o que te faz bem, se não consegue ler, experimente audiobooks.

 

Andrea Cruz – Já estamos evoluindo. Crises vêm para trazer à tona nossas potencialidades. Quanto mais reconhecermos isso e colocarmos em prol do mundo os nossos talentos, maior será a nossa evolução. Carreira é o legado que distribuímos pelo mundo, nossa jornada e trajetória ao longo da vida, e não salário, empresa ou posição. Viva o presente e ofereça o seu melhor agora!

 

 

 

 

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