FORTO: o estresse e ansiedade causados pela volta ao trabalho presencial


Ao contrário do que muitos pensam, o medo, a ansiedade e o estresse são sentimentos naturais que servem para ficarmos alertas com algo que pode nos ameaçar.


Assim, eles funcionam como um estado de atenção que nos ajuda a “ganhar tempo” para reagirmos ou recuarmos, dependendo do perigo ao nosso redor.


O problema é quando essa carga de sensações, que costuma se manifestar em forma de batimentos cardíacos mais acelerados, excesso de transpiração, dificuldades para dormir, impaciência, entre outros sintomas, nos paralisa ou impede de seguirmos normalmente com a nossa rotina.


É por isso que esses últimos tempos, um novo fenômeno foi observado e denominado FORTO, do inglês Fear Of Returning To The Office, termo que traduzido significa “medo de voltar para o escritório” e precisa ser considerado pelas empresas que estão retomando a antiga jornada de trabalho presencial ou mesmo àquelas que adotaram o modelo híbrido.


Desde que a pandemia chegou, há quase dois anos, muitas pessoas que estavam em home office e precisam voltar para o presencial, relataram sentir mais estresse e ansiedade nesse regresso.


Os motivos não inúmeros: muitas delas se adaptaram muito bem ao trabalho em casa, outras se sentem mais expostas ao vírus por saberem que a vacina não é garantia de 100%, e algumas relutam em ter que enfrentar o trânsito novamente ou ficar longe dos filhos e da família.


De acordo com o estudo “Rastreando o Coronavírus”, divulgado em 2021 pelo Instituto IPSOS, o Brasil é o país que mais sofre com ansiedade, por causa da pandemia. Ou seja, 53% dos brasileiros declaram que seu bem-estar mental piorou no último ano.


Outra enquete, realizada pelo LinkedIn, em 2021, mostrou que dos 2.254 respondentes, 24% disseram sentir medo e receio da retomada do presencial, e outros 24% votaram em insegurança. Desabafos sobre uma possível perda de qualidade de vida, de tempo, de deslocamento, de produtividade e de saúde também foram citados.


Para os profissionais que puderam trabalhar remotamente, voltar para o presencial gera uma mistura de saudade dos momentos vividos com os colegas, em diferentes situações, mas também de angústia e medo, causados pela pandemia e as novas variantes que continuam circulando por aí.


Portanto, muitos não se sentem totalmente seguros para voltar a conviver em ambientes fechados, usar transportes públicos no deslocamento ou almoçar fora com os colegas, por exemplo.


E se levarmos em consideração que cada pessoa reage de uma maneira, é preciso encarar essa questão de frente, pensando na Saúde Emocional dessas pessoas, além dos protocolos que podem ser reforçados para que se diminuam os riscos de contaminação e todos se sintam mais protegidos contra a Covid-19.


Além disso, sugere-se que haja um período mínimo de 15 dias durante a transição do home office para o presencial, pois não se trata somente de uma preocupação com o coronavírus, mas também com o bem-estar psicológico de cada indivíduo.


E para isso, especialistas sugerem, por exemplo, o reforço de uma máscara apropriada para que a pessoa se sinta mais segura, o distanciamento nas bases de trabalho, horários flexíveis para que se evite os momentos de pico nos transportes públicos, trazer a comida de casa se a pessoa não se sentir à vontade para comer com os outros colegas, entre outras medidas de proteção como o uso do álcool em gel, lavar as mãos com água e sabão, e claro, a vacina.


Tudo como forma de seguir os padrões cientificamente comprovados para que se diminuam os riscos de contágio e as pessoas se sintam mais protegidas, deixando de lado o medo e a ansiedade.


Portanto, o mais importante nessa história toda é a pessoa se sentir menos vulnerável e assim, conseguir diminuir gradualmente esses sentimentos que a incomodam, durante o retorno ao trabalho presencial. Afinal, a FORTO não é uma doença grave, possui controle e tratamento psicoterápico. Confira aqui mais detalhes.


E apesar da pandemia não ter acabado, a volta para a empresa precisa ser gradativa e natural. Para isso, o medo e a ansiedade precisam trabalhar ao seu favor e não contra você. Reflita a respeito!

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