Inclusão racial: uma causa de todos nós




Desde que a data de 21 de março foi instituída como o Dia Internacional da Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, há mais de 60 anos, o “Massacre de Sharpeville”, ocorrido em Joanesburgo, África do Sul, precisa ser relembrado.


Naquela época, 20 mil pessoas negras protestavam pacificamente contra a “Lei do Passe” – decreto que delimitava os locais de circulação dos negros no país – quando foram abordadas violentamente por tropas do exército, que atiraram contra os manifestantes. De lá para cá, a luta pela igualdade continua, enquanto houver discriminação racial.


É por isso que a gente precisa reforçar aqui que essa luta é de todos nós, dentro ou fora dos ambientes corporativos.


Nas últimas três décadas, a desigualdade racial impulsionou a já elevada disparidade de renda brasileira em pouco mais de um décimo, conforme o estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). E a concentração dos negros entre os mais pobres registrou um pouco mais de um terço do que seria uma sociedade com castas raciais de renda comum a todos.


Detalhe: esse cenário de desigualdade racial e econômica foi agravado ainda mais pela pandemia. No País, mais de 13 milhões de pessoas vivem em comunidades sem saneamento básico, postos de saúde e mobilidade urbana adequados.


Ou seja, a diferença entre as taxas de desemprego entre brancos e pretos é a maior desde 2012. Enquanto o índice para pretos está em 17,8% e para os pardos, 15,4%, a taxa para os brancos ficou em 10,4%.


Portanto, a crise pandêmica atingiu principalmente as atividades com maior participação da população negra e parda: comércio, trabalho doméstico, serviços e construção civil. O impacto também foi grande no setor informal, que é composto majoritariamente por pessoas negras.


Entre outros setores sociais, as empresas também precisam fazer sua a parte, oferecendo mais oportunidades de trabalho para os negros e negras, em diferentes setores e cargos, como forma de gerar uma transformação real em sua cultura organizacional.


Mas por onde começar?


Dados do IBGE mostram que menos de 3% de mulheres e homens negros alcançam posições de chefia ou gerência no Brasil, chegando a ser três vezes menos que os brancos.


Por isso, a diversidade corporativa simboliza a responsabilidade social de cada empresa em criar um ambiente de trabalho diverso e inclusivo, para que cada colaborador possa ter acesso às mesmas oportunidades, espaço e respeito.


Além disso, é importante discutir internamente sobre o tema, estruturar os processos, definir objetivos e estabelecer metas a respeito.


É preciso considerar também que a empresa que tiver em seu quadro de colaboradores diferentes tipos de pensamentos, culturas, etnias e opiniões certamente se tornará mais plural e democrática, promovendo inclusive maior competitividade, inovação e engajamento perante os seus consumidores.


Afinal, é notório o movimento cada vez maior por parte de clientes e internautas, de modo geral, que priorizam a diversidade como um dos seus critérios para consumir determinado produto ou serviço.


Portanto, além de todos saírem ganhando, a igualdade de direitos também passa pelo aumento de oportunidades e condições de desenvolvimento humano. Pense nisso!

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