O impacto das doenças psicossomáticas no ambiente de trabalho


Imagine as seguintes situações de trabalho: uma reunião na qual o profissional que fará a apresentação tem fortes dores de estômago; uma funcionária que sempre tem dor de cabeça na hora de concluir uma demanda; um operário sente falta de equilíbrio ao operar um equipamento.


E então, todos esses personagens passam por médicos especialistas para tratar desses problemas, mas nenhum tratamento faz efeito.


Provavelmente, eles desenvolveram doenças psicossomáticas, isto é, seus problemas começam na mente e afetam o corpo: estresse, depressão, ansiedade, que, se não forem tratados, continuarão causando efeitos físicos reais.


Embora o cenário descrito acima seja fictício, ele acontece de fato na vida real e, provavelmente, muitos de nós já vivenciamos momentos desconfortáveis em razão de algo que somatizamos.


Felipe Sitta, Psicólogo e especialista da Mental Clean, explica que as doenças psicossomáticas são resultado de um diálogo entre uma mente em conflito e o corpo.


“Primeiro precisamos entender que corpo (físico) e mente não se separaram. Está tudo junto e interligado, e, da mesma forma que há um sistema biológico complexo, há uma complexidade muito maior no diálogo entre o biológico e o mental”, afirma.


“Se a mente está doente, ou com excessos de conflitos que não puderam ser pensados, falados e aos quais não foi dada a devida importância, esse copo transborda, e a água precisa cair em algum lugar, esse lugar é o corpo”, explica o especialista.


Há ainda estigmas que impedem que as pessoas lancem o devido cuidado e atenção às doenças psicossomáticas. Pois, ao saber que sua enfermidade tem origem psicológica, os indivíduos em geral tendem a achar que estão sendo fracos, que “isso é coisa da cabeça, não existe, é fantasia”.


Porém o processo de adoecimento não é consciente. “As doenças e sintomas realmente existem e o corpo responde, mas não necessariamente têm raiz orgânica”, reforça o Psicólogo. A somatização é uma via automática que não passa pelo pensamento racional e é descarregada no corpo como forma de sintomas e até mesmo doenças.


Estresse no trabalho


Em geral, o ambiente de trabalho oferece algum nível de estresse, o que é natural, pois são constantes as situações novas às quais é preciso, além de se adaptar, propor soluções. Nem sempre isso é possível.


“Quando não temos recursos internos ou estratégias para lidar com o estresse, ele vira patológico e muitos sintomas são somatizados e descarregados no corpo”, afirma Sitta.


Algumas manifestações surgem de forma fisiológica, com o aumento do hormônio cortisol, o que resulta em cansaço, fadiga e bloqueio de pensamentos. Mas também há processos mentais inconscientes descarregados em forma de sinais pelo corpo, como alergias, queda de cabelo, problemas reumatológicos, doenças autoimunes, entre outros.


A pandemia de Covid-19 aumentou o nível de estresse na população e criou um novo cenário de somatização. Uma pesquisa da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), realizada em maio de 2021, com 400 psiquiatras, indicou que para 89% dos entrevistados houve agravamento de quadros de saúde mental em seus pacientes devido à pandemia. O medo de adquirir a doença, indica o estudo, acentuou sintomas parecidos com os que caracterizam a infecção por coronavírus, como febre, falta de ar e gripe.


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As doenças psicossomáticas podem impactar de forma significativa na vida profissional. Desde os sintomas mais corriqueiros, como dores abdominais e diarreia, a doenças mais graves e crônicas que podem acarretar em um afastamento longo ou definitivo – enfermidades decorrentes de depressão e ansiedade são a principal causa de afastamento do trabalho, segundo o INSS.


“Como trabalhar bem com dor? Esse incômodo muitas vezes rouba totalmente nossa capacidade de pensar, agir e ter memória, aspectos inerentes ao trabalho”, comenta Sitta.


É preciso estimular no ambiente de trabalho o diálogo sobre Saúde Emocional e Autoconhecimento, assim como desenvolver estratégias de promoção de bem-estar e saúde integral do indivíduo.


“As empresas já falam muito sobre as doenças físicas e como preveni-las. Mas, e sobre a Saúde Mental? As organizações devem incentivar que seus colaboradores pratiquem o autoconhecimento. Um ambiente seguro e aberto certamente evitará que o trabalhador adoeça”, ressalta o especialista da Mental Clean.


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Como podemos saber se o que sentimos tem fundo psicológico?


É preciso ficar atento aos sinais que o seu corpo envia. “Lembre-se do diálogo entre corpo e mente, conecte-se e conheça o seu corpo o quanto mais você puder”, recomenda o Psicólogo.


O corpo emite um sinal de alerta em efeitos persistentes por mais de duas semanas, como diarreia, constipação, cefaleia, dores abdominais, irritação na pele, coceiras, queda de cabelo e alergias.


O autoconhecimento é fundamental nesse processo, pois, quando nos conhecemos, passamos a ter mais controle sobre as nossas emoções e, consequentemente, a ter mais qualidade de vida.


Confira algumas dicas de ações simples para começar a praticar o autoconhecimento:


  • Saiba dizer não – isso é fundamental para que você não ‘carregue’ situações e tarefas que não sejam suas.

  • Faça algo novo – esteja aberto a mudanças, pode ser um corte de cabelo diferente ou um curso que você vem adiando.

  • Pratique meditação – essa prática auxilia no relaxamento e também a adquirir mais concentração e foco.

  • Faça psicoterapia – o apoio profissional auxilia a adquirir mais autonomia e domínio sobre nossos sentimentos e ações.

  • Aceite os seus erros – tão importante quanto aceitar os erros é aprender com eles e perdoar-se, sem julgamentos.

  • Observe-se – comece a perceber o que te faz bem o que não é tão legal assim. Isso vale para o ambiente, as pessoas e atitudes. Desapegue do que te faz mal.

  • Reserve alguns minutos do dia que sejam só seus para cuidar da sua saúde física e mental.


Mas a solução não é apenas individual. As organizações também podem atuar de forma preventiva nesse contexto, desenvolvendo ações que promovam o Bem-Estar e a Saúde Emocional dos seus colaboradores, estimulando a prática do autoconhecimento e garantindo climas de segurança psicológica, em que as pessoas se sintam confortáveis e confiantes em serem elas mesmas.


Quando a equipe está bem, física e emocionalmente, o ambiente se torna mais harmônico, colaborativo e produtivo.


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