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O que as empresas podem fazer pela saúde mental dos funcionários?



Você sabia que uma em cada cinco pessoas sofrem no trabalho com algum tipo de problema emocional?


De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde) isso vem acontecendo principalmente por conta da globalização, que tem contribuído para o aumento do estresse relacionado ao trabalho.


Aproveitando o Dia Internacional do Trabalhador, é importante analisarmos que realmente as pessoas passam a maior parte do seu tempo concentradas nas tarefas ocupacionais, sejam elas presenciais ou em home office. E isso pode acontecer de forma saudável ou hostil, dependendo da maneira como o trabalho é gerenciado pelos profissionais e dos cuidados que a empresa promove para o bem-estar físico e mental de todos eles.


Acontece que após a pandemia os casos de adoecimento emocional têm contribuído para a diminuição da produtividade, o aumento do absenteísmo e dos custos com a saúde e o consumo de substâncias lícitas (como a bebida alcoólica, os medicamentos utilizados por conta própria e outras drogas), que muitas vezes são utilizadas pelo indivíduo como forma de evitar abordar suas questões emocionais com alguém.


Portanto, as empresas precisam rever as condições de trabalho que têm proporcionado aos seus colaboradores.


Muitas delas ainda são resistentes às mudanças, apesar da ESG ou do compromisso de Sustentabilidade Ambiental, Social e de Governança Corporativa (do original em inglês, Environmental, Social and Governance), que muitas organizações assumiram para se tornarem melhores para o mundo em termos de cuidados com o meio ambiente e os seus colaboradores.


Na opinião de Fatima Macedo, psicóloga especializada na saúde mental do trabalhador e CEO da Mental Clean, há muitos fatores que influenciam nessa “virada de chave”, mas o principal deles ainda é o pensamento dos gestores. “Era muito comum ouvir de altas lideranças que a empresa está dando lucro, que está tudo certo e que não é preciso ‘perder tempo’ com esse tipo de preocupação com o ambiente de trabalho, pois isso ‘gera gastos’. Houve pouca evolução nesse tipo de pensamento e ainda há uma dificuldade para entender qual o custo real do adoecimento de um colaborador dentro do ambiente de trabalho”, explica.


Para a CEO da Mental Clean, a solução para este problema seria mostrar o valor que a gestão despenderia com este funcionário em caso do adoecimento. “São poucas as empresas nas quais a área responsável consegue demonstrar os gastos que ela terá com um trabalhador adoecido. Mas é possível calcular o impacto com os custos diretos e indiretos, e quando a empresa se depara com esses números, ela percebe que são assustadores”, exemplifica a CEO.


A saída para essa questão ainda passa pela construção de um ambiente profissional saudável e por repensar a cultura da empresa para que os seus funcionários tenham mais bem-estar.


E isso pode ser feito por meio da identificação de sinais de problemas comuns da saúde mental, com a ansiedade extrema, depressão, falta de foco ou concentração, entre outros sinais, e a divulgação de formas que incentive a pessoa a buscar por ajuda.


Além dessas ações, a OMS propõe que os colegas de trabalho, junto com os empregadores, também contribuam para a construção de uma rede de apoio, onde todos possam ser agentes de mudanças capazes de promover essa discussão dentro das empresas, de forma aberta e colaborativa.


“As pessoas se conformam com um ambiente que não é satisfatório sem pensar nas consequências a longo prazo. Não pensam de forma preventiva. É preciso viver o hoje, mas pensando também no que podemos fazer para ter um amanhã melhor”, acrescenta Fatima.


Por Elaine Medeiros, jornalista e psicóloga

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