Orgulho LGBTQIA+: a difícil arte de ser quem se é


Por Elaine Medeiros


Ter o direito de existir e ser quem é. Isso parece tão óbvio, mas ao mesmo tempo tão distante para algumas pessoas, apesar de estarmos em 2022. Isso porque elas ainda caminham pelas ruas, todos os dias, com medo de apanhar, morrer ou serem ofendidas(os) se “derem bandeira”, ou em outras palavras, demonstrarem ser quem são.


Independe da identidade de gênero, orientação sexual ou sexo biológico, pessoas continuam sendo pessoas, em qualquer lugar do mundo. Com responsabilidades, famílias, profissões e decisões, e não precisariam ter um Movimento de Orgulho LGBTQIA+ que as representassem se todos respeitassem o direito de existir sem serem perseguidos.


“É um desafio a cada dia. A gente infelizmente tem que se acostumar a ter os direitos privados, a ser motivo de chacota, ouvir piadas infames e entender que não é em todo lugar que podemos andar de mãos dadas com quem se ama, uma atitude tão natural por muitos e ‘anormal’ para outros. É sair de casa e esperar em Deus que seja apenas um dia de paz”, desabafa Glauco Silva, assistente de comunicação da Mental Clean.


Para Edu Cavadinha, enfermeiro e parceiro da Mental, a realidade ainda é triste apesar da luta de muitas gerações. “Temos um cenário difícil no Brasil, com ausência de leis efetivas que protejam as pessoas contra o preconceito que algumas vezes pode matar. Não é fácil saber que você pode perder a vida por ser quem é. Já perdi oportunidades por ser uma pessoa trans, tive minha identidade desrespeitada, sofri situações de discriminação. Mas percebo que algumas instituições e empresas estão se abrindo para a diversidade e o respeito às diferenças. Isso ainda é pouco diante de um país continental como o Brasil, mas nos dá um sopro de esperança de que as coisas podem ser diferentes”, defende.


É por isso que o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+ (celebrado no último dia 28) é tão importante. Não se trata apenas de uma celebração, mas de um lembrete anual de que não existe uma vida mais importante do que a outra, como defende Felipe Silva, psicólogo da Mental Clean:


“Não quero ser melhor do que ninguém, mas quero ter o direito de existir da mesma maneira que todos. Hoje sou casado e tenho muito orgulho de ter esse direito garantido no país, mas ainda falta muito para perdermos a cultura machista brasileira”, destaca.

Seja na escola, no trabalho ou fora dele, o preconceito os persegue por toda a parte, de forma sutil ou escancarada. Mas até quando? Até a hora em que nos dermos conta de que isso não faz o mínimo sentido. Por que precisa ser assim? Não precisa, podemos mudar essas histórias no aqui e no agora, dentro de cada um de nós.


“Foi difícil no começo, pois tinha a impressão de que estava fazendo algo errado. Após compreender que se tratava da minha vida e que minha felicidade dependia integralmente de mim, me tornei uma pessoa mais feliz e leve. Hoje eu consigo perceber a necessidade de ser sincera comigo e com os outros para que eu não precise me esconder e não faça parte de um lugar onde não sou bem quista”, descreve Thauanny Silva, psicóloga da Mental Clean, casada há sete anos com a sua esposa.


O que esperam do futuro?



“Espero que a sociedade entenda que a vida do outro pertence ao outro. Que somos múltiplos e que o mundo é grande o suficiente para convivermos em harmonia, com amor e respeito. Que as escolas sejam um ambiente de aprendizado e acolhimento, que o mercado de trabalho possa oferecer oportunidades iguais para todos.” Glauco Silva, assistente de comunicação da Mental




“Espero que no futuro as novas gerações olhem e vejam a grande besteira que fizeram, inclusive tirando vidas de pessoas consideradas ‘anormais’ por um padrão imposto.”

Felipe Silva, psicólogo da Mental Clean





“Que não precisemos mais ter que viver constantemente militando sobre a importância de respeitar o próximo. Espero não ter que falar que ainda somos um dos países que mais mata pessoas trans no mundo e que possamos dizer para as futuras gerações o quão era absurdo ver que as pessoas podiam ser agredidas só por serem LGBTQIA+ no Brasil.”

Edu Cavadinha, enfermeiro e parceiro da Mental








“Que as pessoas passem a respeitar o outro. Sem julgar, sem ofender, sem opinar. Espero que um dia possamos ter liberdade de ser e amar quem quisermos.”

Thauanny Silva, psicóloga da Mental Clean



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