Os benefícios da Comunicação Não Violenta no ambiente de trabalho



Onde há pessoas, há emoções, questões individuais, histórias de vida diversas e conflitos. É inevitável que eles aconteçam dentro de uma empresa, o que pode acarretar prejuízos tanto no que diz respeito ao bem-estar e na saúde mental dos colaboradores, como até nos resultados de produtividade e metas.


A Psicóloga do Trabalho e especialista da Mental Clean, Miryam Cristina Mazieiro Vergueiro, ressalta que é comum haver conflito nos ambientes de trabalho, e que podem até estar ligados à má gestão das emoções dos envolvidos. “Muitas vezes as emoções predominam sobre o nosso pensamento racional, podendo dificultar o entendimento mais objetivo das intenções, percepções e valores, tanto de quem fala como de quem ouve”, explica.


Nesse contexto, o método da Comunicação Não Violenta (CNV), desenvolvido pelo Psicólogo Marshal Rosenberg nos anos 60, nos Estados Unidos, no auge do movimento a favor dos direitos civis e contra a segregação, foi adaptado para a realidade das organizações.


A CNV Incentiva que as habilidades de falar e ouvir sejam estimuladas, possibilitando melhores conexões – consigo mesmo e com os outros, permitindo que a compaixão se desenvolva nas relações.


“Na Comunicação Não Violenta há uma proposta de autorresponsabilidade e honestidade por parte de quem fala, buscando através da empatia e escuta ativa ter uma melhor compreensão do funcionamento mental de seu interlocutor, bem como uma gestão mais efetiva das próprias emoções”, informa a Psicóloga da Mental Clean.


A prática da CNV envolve dois pontos fundamentais: expressar-se honestamente e receber com empatia. Para que isso ocorra, são necessários quatro componentes:


  • a observação, ao perceber e nomear o próprio sentimento e o do outro;

  • o sentimento, ao distinguir sentimentos dos pensamentos racionais e fazer sua gestão;

  • as necessidades, ao compreender as necessidades de cada um dos envolvidos;

  • a solicitação de ações concretas, justificáveis e entendíveis.


A cultura de uma comunicação não violência deve começar de cima, enfatiza a especialista. “A autorresponsabilização dos atores pela não tolerância à violência na comunicação, clareza de que se deve investir em mudanças estruturais no modo de encarar e organizar as relações humanas dentro da empresa devem ser valores claramente assumidos pela alta liderança, e repassados a todos os níveis hierárquicos da instituição”, diz.


À liderança cabe o papel de minimizar conflitos violentos, baseando-se em habilidades de linguagem e comunicação. Um ambiente de trabalho que possa contemplar os conflitos como inerentes às relações e tomá-los como fonte de aprendizado trará benefícios à Saúde Mental do trabalhador.


Em um ambiente punitivo, em que se escondem os erros, que desencoraja a interação social, a cooperação e a solidariedade e onde se estimula a competitividade, o trabalhador passa a se isolar para se proteger, aumentando os índices de estresse e ansiedade, tornando-se um campo fértil para o adoecimento emocional.

O bem maior das empresas é seu capital humano, e cada vez mais elas se dão conta disso, investindo em melhoria da qualidade de vida no ambiente de trabalho. Até porque as novas gerações não querem viver apenas para o trabalho e valorizam o equilíbrio trabalho/vida pessoal.


A mudança de cultura leva tempo e investimento. Começar a treinar seu time em CNV, investir no aprimoramento pessoal, no desenvolvimento de ambientes saudáveis e seguros fará com que os colaboradores mudem sua forma de ver a empresa, passando a tê-la como um agente cuidador, preocupada com o bem-estar e não apenas voltada ao lucro a qualquer preço.

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