Transtornos Mentais - vamos falar sobre esse assunto?


No momento em que se volta a atenção para a Saúde Mental da população ao redor do mundo, toda informação é bem-vinda e necessária.


Falar sobre os principais transtornos mentais nos ajuda a esclarecer e desmistificar estigmas que ainda pairam sobre esse importante tema.


Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo sofrem com algum tipo de transtorno mental, sendo que, no Brasil, são mais de 20 milhões de indivíduos que enfrentam suas dores emocionais.


De acordo com o INSS, os transtornos mentais estão entre as maiores causas de afastamento do trabalho.


Com a pandemia da Covid-19 houve um impacto adicional na Saúde Mental da população.


Uma pesquisa realizada em outubro de 2020 pela Fiocruz apontou que 47,3% das pessoas que trabalham em serviços essenciais apresentaram aumento nos sintomas depressivos e ansiosos. O estudo registrou ainda que, 44,3% dos entrevistados passaram a consumir mais bebidas alcoólicas e 42,9% vêm apresentando dificuldades para dormir.


Esses impactos psicológicos têm sido tão marcantes que o recém-criado termo “Coronofobia” já é discutido no meio científico, e ele diz respeito ao medo, à ansiedade e à preocupação de se contrair a doença.


Há diversos transtornos mentais que apresentam sintomas distintos. Geralmente são caracterizados por uma combinação de pensamentos, percepções, emoções e comportamentos, que afetam a qualidade vida e bem-estar, tanto de quem sofre do transtorno, como das pessoas próximas.


Falar sobre Saúde Mental, suas causas e consequências ainda é um tabu em nossa sociedade. Por preconceito, medo ou mesmo falta de informação, 70% das pessoas que sofrem de algum transtorno mental não procuram ajuda.


“Isto se dá, muitas vezes pela desinformação, por padrões e respostas culturais conscientes e inconscientes e pela própria dificuldade relacionada à validação do adoecimento emocional. É como se não tivéssemos o direito ou mesmo motivos plausíveis para adoecer e sofrer”, diz Kátia Ferrari, Psicóloga e especialista da Mental Clean.


Segundo a Psicóloga, a possibilidade de adoecimento mental, que é inerente a qualquer pessoa, ainda causa incômodo. “Assim, estabelecer uma distância ‘segura’ do tema, contribui para fortalecer o preconceito e a discriminação”, enfatiza a especialista.


Tipos de Transtornos Mentais


A Psicóloga e especialista da Mental Clean, Thaís Gaiasso, explica que os transtornos apresentam características próprias, porém, algumas dicas gerais podem ser utilizadas para ajudar em sua identificação.

“A mudança de humor repentino é muito comum entre as doenças mentais, então é importante prestar atenção a outros sintomas, como possíveis alterações de sono, baixo rendimento em atividades rotineiras e tristeza recorrente”, informa a especialista.


É importante entendermos um pouquinho mais sobre os transtornos mentais mais comuns para sabermos identificar seus sinais e buscar um tratamento especializado, quando necessário.


Apresentamos a seguir alguns dos principais transtornos e seus sintomas mais característicos:


Depressão: É o tipo de transtorno mais comum, que afeta cerca de 300 milhões de pessoas no mundo. Dessas, mais de 11 milhões são brasileiras. A pessoa com depressão apresenta sintomas como tristeza, autodesvalorização, perda de estímulos para as atividades cotidianas. Insônia, dores musculares, falta de energia e cansaço, também são indicativos.


Ansiedade: É um sentimento de apreensão desagradável, vago, acompanhado de sensações físicas como um vazio ou um frio no estômago, opressão no peito, palpitações, transpiração, dor de cabeça ou falta de ar. É caracterizada por sintomas físicos – como dores musculares, respiração e frequência cardíaca alteradas, boca seca e dificuldade de concentração –, e sintomas emocionais – insônia, alterações de humor, tristeza profunda e irritabilidade.


Transtorno Bipolar: Trata-se de um distúrbio de comportamento marcado pela mudança súbita de estados de humor, em que se alteram estados de euforia e depressão. Essas alternâncias de humor causam impactos negativos nos pacientes que podem comprometer seus relacionamentos familiares e sociais, bem como seu desempenho profissional.


Dependência Química: É uma doença crônica, caracterizada pelo uso descontrolado de uma ou mais substâncias psicoativas e que proporcionam repercussões devastadores em diversas áreas da vida. O álcool é a droga mais consumida, seguida pelo tabaco, e muitos dos seus usuários não entendem seu consumo como um transtorno mental. Entre os sintomas dos dependentes químicos estão: falta de motivação, irritabilidade, queda no desempenho no trabalho ou estudo, alterações de humor e de apetite, tremores, ganho ou perda de peso.


Estresse pós-traumático: Trata-se de um distúrbio de ansiedade que ocorre após uma situação de perda ou perigo, quando o portador vivencia ou é testemunha de algum ato violento. Ao se lembrar do fato, é como se ele vivesse novamente a situação, sendo um gatilho para crises de pânico e ansiedade. A pessoa que desenvolve esse estresse apresenta dificuldade de interação social, taquicardia, sudorese, tonturas, dor de cabeça, distúrbios do sono, dificuldade de concentração, irritabilidade e hiper vigilância.


Esquizofrenia: Cerca de 1% da população mundial sofre desse tipo de transtorno que afeta a sensibilidade e a capacidade de interagir socialmente. Entre seus sinais e sintomas mais comuns estão alucinações, alterações do comportamento, delírios, pensamento desorganizado, alterações do movimento ou afeto superficial.


Como tratar os transtornos?


Para todos os tipos de transtornos mentais há diversas estratégias e intervenções eficazes. Só assim é possível aliviar o sofrimento causado por eles. Um tratamento adequado pode representar 80% de chances de uma vida saudável.


O primeiro passo é buscar ajuda com um médico psiquiatra que recomendará qual a medicação certa, após analisar cada situação. A psicoterapia é igualmente recomendada, há diversas linhas que podem ser adaptadas no enfrentamento aos transtornos mentais.


A Psicóloga Thaís ressalta que seria importante que as pessoas buscassem a prevenção no que diz respeito à saúde mental, mas muitos ainda deixam isso de lado. “Preferem cuidar do que parece ser mais urgente, até a hora em que param de dar conta das coisas rotineiras. Passando a sentir mais tristeza do que alegria, enxergando a vida por um prisma negativo”.


Você já ouviu falar do “Quarteto da Felicidade”?


Mudar hábitos e buscar uma prática de vida com mais qualidade é fundamental para manter em dia a nossa saúde emocional.


Mesmo se tratando de um processo biológico, todos nós temos ferramentas para ‘calibrar’ nossos próprios níveis de felicidade e bem-estar. Isso significa que é possível estimular naturalmente a química da felicidade em nosso cérebro.


Os chamados ‘hormônios da felicidade’, que são Endorfina, Oxitocina, Dopamina e Serotonina, não ficam em nosso organismo o tempo todo, mas podem ser produzidos por meio de estímulos específicos.


Nosso corpo e nossa mente podem nos ajudar a produzir esse bem-estar. Saiba como funciona, como agem e como estimular cada um dos hormônios da felicidade:


Endorfina – É um analgésico interno, que, ao liberado, promove a sensação de bem-estar físico e mental. Age diretamente no humor, amenizando o estresse, a ansiedade e a depressão. Para estimular a Endorfina:

  • Pratique esportes e atividades físicas;

  • Ouça música, cante e dance;

  • Cultive pensamentos positivos;

  • Encontre amigos, respeitando as medidas de distanciamento social, e dê boas risadas;

  • Alimente-se bem, evite comidas industrializadas e procure fazer ao menos uma refeição saudável por dia.


Oxitocina – Conhecida como o ‘hormônio do amor’, a Oxitocina ajuda a reduzir a pressão arterial e os níveis de cortisol. Sua presença no organismo aumenta o limiar da dor, reduz a ansiedade e aviva diversos tipos de interação social. Para estimular a Oxitocina:


  • Medite e faça exercícios de relaxamento e respiração;

  • Realize atos de generosidade e de carinho por alguém, como um abraço, uma massagem ou disponibilize-se para prestar algum serviço;

  • Pratique a escuta, ouça mais o outro;

  • Permita-se chorar – pesquisas indicam que o controle defensivo de nossas emoções diminui os níveis de Oxitocina. Já o acúmulo de energia pelo aprisionamento de nossos sofrimentos faz com que o estresse se instaure em nossas vidas.


Dopamina – Trata-se de um neurotransmissor importante no cérebro, responsável por funções como recompensa, motivação, memória, atenção e até regulação dos movimentos corporais. Para estimular a Dopamina:

  • Pratique atividades físicas;

  • Medite e faça exercícios de relaxamento e respiração;

  • Alimente-se bem, evite comidas industrializadas e procure fazer ao menos uma refeição saudável por dia;

  • Ouça música, cante e dance;

  • Evite as gratificações instantâneas que possam causar vícios, como álcool, drogas, compras ou jogos;

  • Crie algo novo, arrisque-se a praticar uma nova atividade como aprender música ou artesanato.


Serotonina – Conhecida como o ‘neurotransmissor da felicidade’, auxilia na regulação do humor, do sono e da capacidade de atenção, liberando em nosso sistema nervoso central uma sensação de bem-estar. Para estimular a Serotonina:

  • Alimente-se bem, evite comidas industrializadas e procure fazer ao menos uma refeição saudável por dia;

  • Desfrute da natureza, contemple;

  • Medite e faça exercícios de relaxamento e respiração;

  • Entre em contato com lembranças positivas, rever fotografias que despertem momentos felizes é uma boa opção;

  • Faça atividades que lhe proporcionem prazer, como leitura, música, dança, filmes, artesanato.


Agora que você já sabe como ativar o poderoso ‘quarteto da felicidade’, pode utilizar essa eficiente ferramenta como aliada para uma vida com mais equilíbrio emocional e Saúde Mental.


Esses recursos estão ao seu alcance!


Então, que tal começar agora?

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